Sonhar no fim do mundo

Estava eu feliz e contente me preparando para escrever sobre o fim do mundo, olhando as fotos pela vigésima vez, postando umas no Facebook, bisbilhotando a vida dos meus amigos prá ver quem fez o que no Carnaval, quando de repente brota um comentário da minha amiga Cláudia Baioco, que por sinal é amiga de outro amigo, que por sua vez me dera de presente um livro sobre viagens, claro.

Eu pedi prá ela contar direito essa história, porque tem tudo a ver com a ideia de emoção que eu tenho sobre viajar. Não só a emoção de conhecer lugares e pessoas, mas a emoção de esperar por isso, de criar as mais diversas expectativas, de planejar e acreditar que, no fim vai realizar!

Essa é a história:

A Patagônia é a viagem dos meus sonhos de menina, o local que eu quero conhecer antes de morrer. Nem sei porque ainda não fui, acho que porque antes não era moda, então ninguém quis ir comigo, e depois que virou moda e o povo passou a querer ir, eu não tive dinheiro para tal.

Tudo porque, quando eu era garota, íamos passar férias na casa dos padrinhos da minha irmã, em Vila Velha – ES. Eles morava bem perto da praia. Juntávamos então eu, minha irmã, as 3 filhas deles e mais umas duas primas delas, vindas de BH. Aquele bando de menina indo à praia, voltando da praia, lavando os cabelos, se arrumando – no único banheiro da casa – e ouvindo música o dia todo. Roberto Carlos bombando com Cama e Mesa, minha irmã com um disco do Queen. Era um mafuá.

Aí, padrinho Sidney, que era a calma em forma de gente, sempre de roupa social, sapatos de amarrar, mesmo dentro de casa, lendo alguma coisa na sala de visitas, único refúgio possível daquele hospíc… local cheio de garotas que não paravam de falar nem um minuto, um belo dia baixou o livro e olhou para nós, dizendo: eu vou ganhar na loteria esportiva e vou comprar uma Kombi. Vou colocar todas vocês dentro e levar para passar as férias na Patagônia.

E eu, que era a mais nova de todas, pensava que, se o sonho de padrinho Sidney era ganhar na loteria pra comprar uma Kombi e levar a gente pra Patagônia, era porque lá devia ser um lugar bacanérrimo! Afinal, ele gostava tanto da gente! Só muitos anos depois é que entendi a ironia da declaração, mas aí o sonho já estava consolidado dentro de mim.

 

Pois é Cláudia, agora que eu conheço um pedacinho da Patagônia – passei alguns dias em Ushuaia, o fim do mundo, mesmo, a gente vai descendo no mapa e parece que, quando acaba, tem Ushuaia! – eu recomendo que você realize logo seu sonho! Se você quiser, eu vou com você. Vou de novo com todo o prazer, porque o lugar é maravilhoso.

A primeira vez que “ouvi” o silêncio absoluto (na Áustria), eu já fiquei maravilhada. Agora, defronte ao Canal Beagle, eu ouvi de novo. Aliás, sendo mais exata, era um silêncio quase absoluto. Porque tinha, bem de leve, um ruído das ondinhas nas pedra. Um ruído muito sutil que, no meio de uma conversa, nem dava prá ouvir. Mas Canal Beagle não é lugar de conversar e eu fiquei lá, na companhia da minha filha, só ouvindo, desfrutando, vivendo…

É, a Patagônia é coisa de sonho mesmo. Quem ainda não foi, vá!

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