“Caminar por las calles de Sevilla”, ah, que espetáculo!

Viajar é mesmo paixão. Quando um viajante apaixonado começa a conversar com outro, em menos de um minuto aparece um relato favorito, um brilho nos olhos, uma saudade ou uma vontade que, cedo ou tarde, vai se realizar.

Desta vez foi meu colega de trabalho, Rômulo Orlandini, que só precisou de pequeno estímulo prá soltar seus sonhos no papel e escrever seu depoimento, que agora presenteio a todos os leitores, viajantes, sonhadores, emocionados como nós por esse mundo rico que temos a sorte de habitar!

 

É sua Rômulo:

 Capital da Andaluzia, Sevilha, é epicentro da qualidade da vida espanhola

Terra do flamenco, touradas, ferias e siesta, Sevilha resplandece a cultura folclórica espanhola imaginada em todo o mundo. Quem conhece a região e os habitantes sabem que eles são marcados pelo calor: seja do gênio espanhol (ora de bem com a vida, ora turrão), dos 40o C no verão ou da sensação provocada pelos preciosos vinhos locais.

A 530 quilômetros de Madrid, estar em Sevilha é evocar um passado distante. A quarta maior cidade da Espanha tem aproximadamente 2800 anos! Durante muito tempo foi um dos portos principais da Europa: do rio que corta a cidade, o Guadalquivir, Cristovão Colombo partiu rumo ao Novo Mundo. E ainda hoje o rio é o coração da cidade, as diversas pontes são atrações turísticas, ponto de encontros e, por mais que os visitantes se percam nas pequenas ruas, sempre há algum caminho que deságua no rio.

Durante séculos a Península Ibérica lidou com as invasões de diversas populações. A influência cultural e estrutural de tais conquistas, principalmente dos mouros (que dominaram a região por 800 anos) e muçulmanos, ainda pode ser vista em toda a região da Andaluzia. A síntese da herança árabe em Sevilha pode ser vista no Palácio Real Alcázar, complexo tombado como patrimônio da humanidade e testemunho das diversas culturas que tiveram presença ao longo dos séculos. Caminhar por entre os jardins e paredes de gesso finamente desenhadas com motivos mouros, denominado múdejar, é um reviver histórico impressionante.

No caldo cultural, as reconquistas católicas fizeram da cidade – e dos sevilhanos – um dos povos mais fervorosos no quesito religião. Uma cidade típica da Andaluzia é marcada por casas brancas, azulejos nas fachadas e muitas, muitas igrejas. Sevilha não é diferente: a Catedral de Santa Maria pode ser vista no centro histórico da cidade, com a imponente torre do campanário, chamada Giralda, dominando a vista. É a terceira maior igreja da Europa, sendo majestosa por seu estilo gótico e barroco. Está aqui a sepultura de Cristóvão Colombo!

Ao lado da catedral está a Torre del Oro, de 1220, local que tem uma beleza pelo que ele não aparenta: era o início de uma grande muralha, que marcava o feudo sevilhano. Por ser o pórtico de entrada da cidade, a torre era coberta de azulejos dourados – uma demonstração do poder  naqueles tempos áureos…

Da beira do rio é possível ver, ao longe, diversas torres de igrejas menores, a Torre de Ouro e a Catedral. Há duas possibilidades no centro histórico: a primeira é andar ao sabor dos ventos na rua principal, chamada Avenida de la Constituición, onde os turistas encontram os bares sempre lotados. A segunda, para os mais aventureiros, é se perder (literalmente) no centro da cidade, chamado de casco antiguo por ainda ter os pequenos e intrincados caminhos feudais. Com suas ruas apertadas onde bicicletas e motos disputam um espaço, é uma das maiores concentrações de pequenas vielas da Europa, um passeio imperdível.

Já nos bairros mais afastados do centro, como na tradicional Triana, o ar feudal dá lugar aos casarões azulejados e, nada mais peculiar que os pés de laranjas espalhados aos montes pelas ruas. Também não é incomum ver crianças muito bem vestidas correndo pelas ruas (o uniforme da escola são meias até os joelhos, com as roupas em cinza e azul escuro, elegantíssimas).

O estilo de vida sevilhano é, no mínimo, invejável. A cidade é sempre cheia de turistas e, dentre eles, muitos jovens americanos que são enviados pelos pais para fazerem o colegial na Espanha. Pela tarde, entre 12h e 14h, não adianta sair para fazercompras, já que a siesta é sagrada para os sevilhanos – sendo ignoradas somente pelas tiendas chinas (um desrespeito, dizem os mais tradicionais). Nessa hora, só ali os turistas sedentos e famintos encontram Coca-Cola e biscoitos.

O que poucos percebem é que as horas de descanso da tarde são compensadas no expediente noturno. O resultado são ruas cheias de gente passeando às oito da noite e todas, simplesmente todas, as lojas abertas. Com o calor dando trégua, o marchar torna-se uma delícia e, em geral, ouve-se tocadores de ruas com seus violinos, guitarras e flautas.

As touradas estão em desuso pela crueldade, mas a Plaza de Toros da cidade oferece um belo museu da arte taurina. Um paralelo da arte é que há escolas taurinas, linhas de pesquisa sobre o assunto e os chavales (jovens) sonham em ser toureiros – principalmente os jovens dos pueblos, que tem uma cultura mais interiorana e tradicional. Também pudera: alguns toureiros são astros idolatrados, tais quais os jogadores de futebol.  Perto da Plaza de Toros estão algumas ótimas lojas de vinhos, sendo que os produzidos na região de Rioja, da casa Lopez de Herédia, chamado Viña Tondonia podem ser degustados por cerca de € 25. Uma pechincha!

Sevilha é história pura, local onde a cultura espanhola é vista em sua essência. Gaste muito bem dois a três dias de sua viagem para a região, encantadora por excelência. O verão europeu não é muito atraente, então prefira visitar a cidade durante a primavera – quando o frio já deixou a região e as primeiras flores estão aparecendo. Os sevilhanos costumam dizer que eles são os verdadeiros espanhóis e quem não conhecer a Andaluzia só terá uma pálida ideia do que é a tradicional, rica e bela Espanha.

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