Berlim

Estive em Berlim em julho de 2009, levada pela curiosidade que virou sonho. Quando adolescente, tive a chance de ler  “Eu, Cristiane F, 13 anos, drogada, prostituída…” e, além do assombro pela garota que poderia ser da minha turma, fui me encantando com a cidade que, no livro, era descrita em detalhes ricos, apesar do submundo que relatava.

Muito tempo se passou e, então, lá fui eu, com minha indefectível companheira Laura! Realizei meu sonho em grande estilo, hospedei-me no Intercontinental ao lado da Kufürstendamm (avenida onde Cristiane e sua gangue se destruíam) e Gedächtniskirche (igreja em ruínas, desde a 2a Guerra). Andamos também pela Unter den Linden (famosa avenida, também arrasada na guerra, hoje em plena forma) e pelo Tiergarten (zoológico). O Brandenburgertor virou a cara deste blog.

Berlim é uma cidade que não pode ser apenas visitada, mas estudada. Alguns lugares devem ser entendidos antes de fotografados. O Muro, por exemplo, conta com um museu na entrada e uma placa que indica a Topographie Des Terrors e a história da brutal Gestapo. Impossível passar por ali sem sentir um arrepio.

Unter den Linden também vibra sob seu passado sombrio, mas, felizmente, hoje acolhe bares e restaurantes onde se pode sorrir e desfrutar da vida.

Andando por ali, pode-se (e se deve) visitar o Neue Wache, museu que abriga a Pietà de Kathe Köllwitz. Olhando a escultura, há que se refletir sobre o ditado alemão “uma grande guerra deixa um exército de aleijados, um exército de enlutados e um exército de ladrões” .

Acho que essa é a parte mais legal do turismo: além de fotos lindas, comidas deliciosas, pessoas divertidas e alto astral, turismo ensina a pensar e sentir de um jeito novo. Experimente!

E antes que se perguntem porque estou escrevendo sobre a Alemanha antes mesmo de contar mais sobre a surpreendente Argentina (não estou na letra A, foi só coincidência), esclareço: no aeroporto de SP ainda, Laura me lembrou que dessa vez eu não tinha comprado nenhum livro prá ler na viagem. Enquanto eu procurava um água-com-açúcar pra ser abandonado ao final, ela achou o pesado mas formidável “O Piloto de Hitler – A vida e a época de Hans Baur”. Sem mais comentários.

Nem sei o que recomendo mais, a experiência germânica, a visita aos pinguins ou a literatura histórica. Na dúvida, faça os três!

Boa viagem.

 

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