Vigeland, Abba e os Vikings

Depois de conhecer o fim do mundo ao sul, resolvi ir para o norte. A Escandinávia esteve nos meus planos algumas vezes, mas, por alguma razão, outro país sempre passava à frente. Pois agora fui: Noruega e Suécia, num roteiro que levei meses para apurar e decidir, aproveitando a viagem durante muito tempo, portanto.

Lá fomos a um país onde a primeira impressão foi a do analfabetismo (meu); de repente, tudo o que eu sabia sobre ler e escrever havia desaparecido. Tirando umas poucas palavras semelhantes ao alemão, tudo era muito estranho, com letras cortadas e acentos-bolinhas… mas felizmente todo mundo, mas todo mundo mesmo, fala inglês fluentemente e com sorrisos. Assim fica fácil.

Em pouco tempo, eu e minha inestimável companheira de viagem e filha estávamos no centro de Oslo arrastando nossas malinhas de mão. Fazia um sol de rachar e, mesmo quando já esgotadas, íamos nos preparando para dormir, notamos que o sol ia se pondo há horas… e no fim não se pôs. O sol da meia-noite existe mesmo e é sensacional!  Em temperatura oposta, a sensação foi  a mesma de quando eu vi a neve cair pela primeira vez; descoberta, emoção, expectativa. Sempre me sinto privilegiada nesses momentos em que a natureza é explicita e inabalável e com freqüência rezo um pouquinho pra compartilhar minha gratidão com outras dimensões.

Dois dias desbravando a pé a terra de Vigeland e Munch e partimos de carro para Sogndal, a porta de entrada do Sognenfjord, um capricho geográfico que produz cores e sombras de tirar o fôlego de qualquer turista. Visitamos pequenos e grandes fiordes e cidades sempre pequenas. Descobrimos o curioso vilarejo onde tudo é uma livraria, desde a casa dos locais até o hotel Mundal, encravado entre a montanha, o lago azul e a igreja de madeira com seu cemitério histórico. Conhecemos o Museu Glacial e uma fazenda de cabras. Deixamos o tempo passar e apreciamos a paisagem, jantando sempre no mesmo restaurante La Pergola, onde o garçom era norueguês; o chef, italiano; o maitre, português; a ajudante, espanhola e todo mundo se entendia e não era o tempo todo em inglês…

Seguimos ainda de carro até Bergen, numa viagem de 220km onde cada curva vale uma foto e portanto levamos quase oito horas para chegar nessa cidade linda e vibrante, onde pela primeira vez recusei um prato local, por absoluta falta de coragem de comer carne de baleia. Tola, eu sei, mas já tinha causado dano suficiente ao mundo animal quando comi hambúrguer de rena. Papai Noel nunca mais vem me visitar.

O roteiro acabou em Estocolmo, onde fomos ao museu do Abba, jantamos como os vikings e nos divertimos como nunca no Gröna Lund Park. Não deu tempo de ir ao Vasa Museum, de modo que temos que voltar à Suécia. Aliás, ficou mesmo faltando Dinamarca e Finlândia (logo, logo) mas já deu pra notar que a Escandinávia é um roteiro obrigatório para qualquer um que queira observar e aprender com povos livres e sociedades equilibradas.

 

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  1. 1585 dias ago
  2. 1582 dias ago

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