“Eu viajo sem mala”

Desde o episódio canadense, onde eu não usei nada do que eu levei na mala-container e, na volta, ela extraviou e nada me fez falta, eu viajo sem mala. Melhor explicando, eu não despacho mala, nunca, estou sempre com a mala de bordo, apenas, na ida e na volta. Medidas espartanas e no máximo 6 quilos.

Minha filha no meio de toda nossa bagagem.

Muita gente me pergunta como eu consigo e a resposta é simples: eu aprendi a levar só e exclusivamente aquilo que eu realmente vou precisar. E acreditem, o que precisamos é bem pouco. Queremos muita coisa, mas precisar, precisar mesmo, quase nada.

A começar pelo óbvio, levo roupas coringas, não pra combinar (porque eu não estou nem aí pra ficar combinando sapato com brinco enquanto sou turista e tenho tanta coisa pra pensar e aprender), mas pra ficar adequada o tempo todo. No inverno, por exemplo, se um casaco só serve pra neve, mas não pra chuva, não levo. Vou calçando o par de sapatos que eu vou usar e levo um chinelo que possa ser descartado se eu precisar do espaço dele na volta.

O kit básico de higiene pessoal, minha máquina fotográfica, passaporte, dinheiro e umas lembrancinhas do Brasil pra distribuir para aquelas pessoas que se destacam na nossa vida de turista. Na Noruega, um local me deu  os trocados que eu precisava pra pagar a entrada na fazenda de cabras, um lugar longínquo maravilhoso, que não aceitava cartão e nem dava troco (porque o pagamento devia ser jogado numa caixa pregada ao muro de entrada). Para retribuir, dei uma pulseirinha artesanal para a filha dele. Eles amaram a gentileza. Como EU podia agradecer?

Essa técnica toda fica mais fácil na medida em que a estou aplicando na vida, no dia-a-dia. Será que precisamos mesmo de 4 pares de botas no armário pra viver? Ou 11 pijamas? Minha conta é de uma camiseta pra cada 4 dias. Não tem clima na face da terra que não permita que uma roupa seque nesse intervalo e assim, pra que mais? E se eu quiser comprar alguma coisinha por lá, tem que caber no espaço daquilo que pode ser  deixado.

Quando fui para Foz do Iguaçu num feriado de 3 dias, fui com a roupa do corpo, na bolsa um short e um biquini. Só que, de cara, a roupa do corpo ficou ensopada no passeio de barco. Voltei pro hotel, botei o biquini, me enrolei na toalha e pedi pro gerente mandar secar minha roupa. Só secar, não lavar, não passar. Levou duas horas (enquanto eu fiquei na piscina) e eles nem cobraram, tamanha a facilidade. E ainda demos risada porque só então ele entendeu que minha mala não tinha sumido… ela não existia!

E de menos em menos, acabei viajando cada vez mais leve, mais livre. Se um restaurante bacana não me deixa entrar só porque estou de tênis, ou de “crocs”, eu vou em outro. E nunca aconteceu, pois, geral e principalmente fora do Brasil, as pessoas vão a restaurantes pra comer e não pra desfilar. E quando estamos com o espírito assim, tão  solto e desapegado de bobagens, nós atraímos coisas boas. O que dá mesmo brilho à vida é a cabeça rica e o coração nutrido.

quando não deixo pelo mundo, é aqui que vendo minhas roupas cujas histórias eu concluí…

 

 

 

 

 

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