Zôo – SP

Um passeio ao zoológico é programa obrigatório em todas as idades, principalmente àqueles que se reconhecem como indivíduos racionais. Mesmo com dúvida nesse quesito, lá fui eu e minha sempre companheira filha, desfrutar dessa experiência.

O Zôo de SP está nostálgico, bravamente resistindo ao tempo e ao socialismo preguiçoso e burro que assola o Brasil. Mas, tratado político à parte, ainda é imperdível.

Ainda que confinados, os bichos são bem tratados, parecem felizes em sua resignação e oferecem, a nós humanos pequenos espetáculos quando acordam, quando se alimentam ou, simples, quando nos olham, mais curiosos ainda e certamente pensando: que bichos estranhos, esses bípedes que falam.

Um dia no Zoo é uma aventura pras crianças e uma volta no tempo pros adultos. Lembro-me tão nitidamente da fotografia que tiraram do meu grupo do parquinho (ensino infantil era só um parquinho, na minha época, não precisávamos de mais nada), todos agasalhados e eu, calorenta, parecendo uma refugiada, gorro meio caindo, calcas arregaçadas, blusa aberta deixando aparecer a camisa do uniforme que mais parecia uma toalha de mesa de cantina tradicional. Desde aquele tempo eu já maltratava a moda, principalmente em dias turísticos.

Pouca coisa mudou. Em mim e em tudo. Senti falta apenas das ariranhas, aquelas lontras esguias, rápidas, pareciam mansas, mas me contavam que um dia mataram um bombeiro que pulou na água para salvar uma criança. Nunca me contaram que diabos a criança fazia lá. Deve ter pulado pra cutucar a ariranha e sobrou pro outro.

Aliás, as crianças são serelepes e barulhentas mas, quando minimamente educadas, são inofensivas tanto quanto os passarinhos. Os adultos são barulhentos também e, impossível pra mim, não prestar atenção na maioria das conversas alheias e nas emoções e reações frente àqueles que chamamos de irracionais. Vi um que queria fotografar as girafas de frente, família inteira junta (das girafas), sorrindo. A girafa maior virou de costas, sem nenhuma paciência pra mais fotos dominicais. O humano xingou de vários palavrões. Por que não compra um postal?

Outros reclamavam que o leão só dormia, lá, escondido na toca. Queriam ver o felino arrancando a cabeça de uma criança (depois que um arrancou o braço, queriam matar o bicho) ou destroçando um cabritinho ainda vivo.

Mais pra frente, aí sim, as aves de rapina se alimentavam fartamente de ratos e pintinhos, com sonoplastia e imagens de filmes de terror. Só que, então, os humanos reclamavam do horror que aquilo significava. Ou gritavam, as meninas geralmente, “que nojo”.

No fim, apesar de me sentir triste pela dramática rotina de prisioneiros que acabáramos de ver, tinha minha dose de felicidade pelos animais.

Eles estavam ali, bem nutridos, cada qual com seu par, num ambiente verde bem cuidado, sem celular, em alguns pontos

na melhor exuberância da natureza, com grades protegendo-os de nós. O céu anil estava lindo o sol brilhava impassível, como a mostrar, àqueles que querem ver, que é a vida é mais fácil do que parece.

 

 

Comments
  1. 1106 dias ago

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