Verdadeiro Norte

Emocionante CANADÁ

De volta para o True North, para visitar minha Canamom. Fazia cinco anos que não nos víamos. Às 6 da manhã no aeroporto de Toronto, no mesmo lugar em que, também, há mais de dez anos, ela e seu amado John buscaram a mim e a Laura pela primeira vez e, ao abraçar John filho, a alegria se misturou à falta do John pai e eu fiquei quieta, simplesmente abraçando a Karen a caminho do estacionamento. Essas coisas não têm preço.

Conheci a Karen e o John num restaurante em Bruxelas, em 1998. Ele me ouviu falando e perguntou-me que língua era aquela, parecida com Francês, mas obviamente diferente. Começamos a conversar em inglês, eu contando coisas do Brasil e eles, do Canadá. Pedimos ao garçom que nos tirasse uma foto que, depois de revelada – nem época de selfies, nem câmeras digitais – foi pelos Correios para o Canadá e iniciou uma das minhas mais ricas amizades.

Em sua nova casa, que eu ainda não conhecia, senti-me acolhida como sempre, prestes a iniciar uma semana de tagarelices, novidades, visitas, amigos, famílias, passeios e donuts do Tim Horton’s.

Nesses preciosos dias que antecedem o Natal, tomei café com Karen todas as manhãs no balcão da cozinha, abri a porta para o gato voltar do passeio diário, saí pra correr na estrada, conheci os arredores do minúsculo e aprazível vilarejo de Freelton. Fomos ao mall, ao supermercado. As noites traziam frio intenso e lua cheia. Recebemos amigos para o jantar, cumprimentamos vizinhos, preparei coxinhas e caipirinha para a ceia de Natal, trocamos presentes, nos emocionamos.

Tão rápido passou que logo estávamos no carro com Pam, a caminho do aeroporto de Toronto, a cidade que mal conheço, porque, o verdadeiro Canadá, pra mim, é o coração da família Roberts.

 

 

Fleumático EUA

Era hora de ir pra Los Angeles. Entrei no aeroporto de Toronto com as lágrimas de despedida que eu já conhecia, aquele aperto no coração de quem sabe vai passar muito tempo antes do reencontro. Nesse clima, fomos para o controle de passaportes americano, que vai saber por que é feito ainda em solo canadense. Um agente cretino encasquetou com minha história de amizade e nos achou suspeitas. Não tem nada mais machista e preconceituoso do que um chico que se acha yankee. O latino mandou-nos para a inspeção simplesmente porque achava que eu devia ter um namorado nos EUA. O americano de verdade, que nos atendeu na sequencia, era bem esperto e captou tudinho. Sem nenhuma delonga, mandou-nos embora com um sorriso gentil, desejando bom passeio. Dali a uma eternidade (por causa do fuso horário, voar para o oeste significa que o dia nunca acaba: quanto mais se voa, mais cedo fica) estávamos na paulistana (estressada e barulhenta) Los Angeles, a caminho do Renaissance LAX, um hotel muito cômodo, convenientemente perto do aeroporto e com shuttle grátis. De chofre, entendi porque os Estados Unidos não mais detêm a minha preferência. Ótimos serviços, mas com peculiar impessoalidade. Não fosse o clima sempre positivo das cidades de praia, o passeio teria começado mal, com aquela impressão de ter errado o lugar. Santa Monica é uma atração turística por si só. Vale a pena ir até lá só pra passear pelo calçadão, ver e ser visto no parque ao longo do píer, desfrutar da vista para o mar e, claro, do pôr do sol nas águas do Pacífico.

Dois dias são suficientes e seguimos viagem para o nosso principal destino: a artificial, superlativa, acesa, lotada, brega, pecaminosa e encantadora Las Vegas.Só o nosso hotel já serviria como amostragem pra tudo isso. Um lobby elegantérrimo, com umas inexplicáveis colunas romanas, enfeitadas por gigantescas bolas brilhantes de Natal, tudo no meio do carpete colorido em ondas, tipicamente americano, cercando as gôndolas venezianas coalhadas de atarantados turistas.

Saímos pra passear pelos hotéis temáticos da Strip, de Paris a Nova York, do medieval Excalibur ao moderníssimo Aria, todos lotados de gente falando todas as línguas.

Quando  voltamos pra nossa base, atordoadas com tanta informação, Laura viu aquele céu azulado que brotara do meio da noite e perguntou, meio encantada: “esse é o nosso hotel?”. A viagem pagou-se aí.

 

Mas Las Vegas guardava uma surpresa.

Depois da depressiva caminhada pelo velho centro, na rua mais iluminada e mais sem graça do mundo, fomos parar no Museu da Máfia, do qual eu nunca ouvira falar, mas cujo letreiro enorme chamou minha atenção.

Ótima surpresa. Pequeno mas muito bem montado, com dados realistas, observações quase filosóficas sobre os humanos da Máfia e, para meu deleite, várias demonstrações de como o Direito e os princípios de justiça e liberdade, quando bem operados, são capazes de desenvolver as sociedades e melhorar a vida das pessoas.

Satisfeitas com essa pitada de cultura inesperada, voltamos à Strip para pegar o show do Maroon 5 no gigantesco Mandalay Bay e passar a virada do ano na avenida. Festa bacana, alegrinha, ultra policiada (acho que tinha mais policiais do que turistas) e familiar. Na verdade, tinha de tudo um pouco.

Dia seguinte fomos até Hover Dam, pra ver que não é só São Paulo que está secando até o fundo, tiramos fotos lindas do problema alheio e seguimos viagem de volta à Califórnia.

Cruzamos o Vale da Morte (Death Valley), por uma das minhas estradas preferidas na terra do Tio Sam. Fui presenteada com mais um belíssimo entardecer e chegamos a Lone Pine, nada mais do que um vilarejo aos pés do Monte Whitney, pico mais alto do país continental. Alguns quilômetros de montanha acima e, enfim, vimos alguma neve. Só fomos embora quando vimos placas de “cuidado com os ursos, área de intensa atividade”. Não queríamos atividades desse tipo, seja lá que tipo fosse.

Acabamos nossa aventura norte-americana na Disneyland. Depois do verdadeiro Norte, da praia, dos cassinos, desertos, montanhas, neve e estradas, fomos ver o Mickey e as Princesas, concluindo que essas, como as mortais, seguem esperando os príncipes aparecerem…

Como demoram muito, saquei uma fotinho com o simpático vassalo do castelo de uma delas.

A viagem foi então se acabando, porque, felizmente, sempre voltamos pra casa pra pensar na próxima.

 

 

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