Casamento… na Bahia!

A lógica é simples: se alguém me convida pro casamento de um filho, eu vou. Já fui em vários.

Quando Paulo (meu chefe), com aquela tristeza com ares de alegria, de quem está vendo o tempo passar e não pode fazer nada, me entregou um convite elegante, informando que “filhos também se casam”, falei logo que iria, claro.

Depois de ler e atentar, pensei comigo “Caramba, que ideia é essa? onde é Barra Grande?”. Descobri ser na Bahia e chega-se por Ilhéus. Depois, mais 120km até a tal Ponta do Mutá, onde seria o grande dia pra todos os envolvidos.

Pois se eu fui até a Estônia só por causa de uma música, acham que eu recusaria um casamento, um casamento de filha, só porque seria na  Bahia? Na querida Bahia, adorada Ilhéus?

Foi só comprar passagens, vestidos, alugar carro, reservar pousada. Eu não iria sozinha. Minha sempre companheira animou-se mais que o normal, pois, era praia e roupas bonitas. Descobri que outra colega de trabalho iria também e fizemos nossos bahianos planos de aventureiros convidados. O evento prometia.

Já na terra do cacau, íamos felizes e contentes, paramos pra almoçar numa filial do paraíso disfarçada de cozinha, víamos a pródiga natureza em retas e curvas e logo descobrimos que parte do caminho, justo a rodovia federal, era de terra. Uma BR não pavimentada? Este sim, é o pais das oportunidades.

Mesmo agora que já sei das delícias do mundo off-road, não pude deixar de observar que eu não estava dirigindo meu valente Jimny. Estava num sedã 1.0, tão preparado para uma trilha quanto a minha avó. E choveu. E fez-se muito barro. E no dia do casório, seriamos quatro moçoilas em vestidos longos, desatolando um Logan vermelho. O que não aconteceu porque, afinal, o carrinho era, assim como minha avó, um guerreiro.

Só houve diversão e beleza.

Primeiro, por causa da amizade que um momento desses cria. Depois, porque estar nas praias da Bahia é de uma fortuna ímpar. E, mais importante, porque o casamento foi planejado em cada detalhe de romance, conforto e gastronomia, logística, natureza e música. A noiva estava divina, o pai dela, com os olhos brilhantes de orgulho e emoção que se liquefaz; eram todos tanta alegria que atravessaram a noite.

Eu, fraquinha que sou pra baladas, fui embora cedo mas soube de tudo.

Desfrutei da oportunidade toda e ainda no fim, já no aeroporto, comprei chocolate ilheuense de comer de joelhos, rezando pros noivos serem felizes e também pro avião não atrasar (e, se possível, não cair), pra todo aquele azeite de dendê que eu comera nos últimos dias todo não agredir minha barriga,  pra eu ter sempre as pessoas queridas por perto e pro Paulo não esquecer da promessa que nos fizera, ainda que enlevado pela champanhe, de, no futuro, ir ao casamento da minha filha, fosse onde fosse…

Um brinde!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

'