Em Portugal, de novo.

Este post, diferente dos demais, foi escrito durante a viagem e, portanto, sofre a mistura dos tempos verbais.

Volto a Portugal para uma viagem a mim mesma, usando o caminho dos castelos, alcovas, conventos e tabernas. Aflições, amores, escolhas, renúncias, entrega, coragem.

Tenho oportunidades e, a partir da minha primeira anotação (1), motivos para não querer perder nada.

Tudo isso numa só cabecinha de turista, que pensa ser única mas se vê apenas mais uma na fila dos ingressos para as jornadas que começam num lugar e acabam noutro inesperado, como quase tudo na impermanente vida.

Fico olhando aquelas ruínas incríveis, pensando no que faziam as pessoas daquele tempo…provavelmente o mesmo que nós, só que com uma roupa menos confortável. Não eram tempos de sapatos com amortecedores!

Busco respostas nas filosofias do passado, mesmo achando que não tem dado certo. Não havia plano B” para certas coisas, continua não havendo e ainda não há reconstrução sem as ruínas.

Sigo olhando Portugal com novos olhos, esperando surpresas que vieram, de fato. Não esperava falar de cinema, nem de planos, nem de chás com as plantas do quintal. Em todo lugar, o que me surpreende são mesmo as pessoas, de um jeito ou de outro.

No Portinho da Arrábida, encantou-me a simplicidade, a serenidade, o isolamento e a sobrevivência a ele. Fiquei ali alguns poucos minutos e saí rezando para que nunca me esqueça daquele vento.

rápido, encantador, inesquecível

Em Évora, assustou-me a arte macabra daqueles que idealizaram a capela com ossos. Os corpos insepultos nada tinham de romance, ou exemplo, ou drama útil. Foram mesmo ali condenados, expostos desnecessariamente à curiosidade – no mais das vezes inocente – dos turistas. Meu coração reagiu e meus olhos derramaram. Tenho que voltar à Évora para apreciar o aqueduto, esse sim, a arte da necessidade. Tenho que voltar para a Enoteca Cartuxa, onde celebramos a sorte comendo bacalhau com ovo frito e batata palha, queijo de ovelha amanteigado e vitela assada com purê de nabos. E vinho, que é a expressão mais colorida da alegria, quanta alegria.

vista do hotel Mar de Ar

Daí para Peniche, um vilarejo de pescadores que tem uma praia cortada ao meio pela estrada dos famintos que seguem para a Taberna do Ganhão. Esse, por sua vez, é um boteco gracioso, com comida boa, feita por jovens sem medo de trabalhar e sorrir.

Por ora vamos seguindo. Muito me aguarda em pouco tempo, antes da hora de voar à imprecisa realidade.

(1) levo meu caderninho nas viagens e, tudo o que capto de encantador ou pitoresco, anoto. Comecei com “assistir O Leopardo, indicado por Ma.Antonia, que sabe do que está falando”

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  2. 134 dias ago

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