Um Brasil – Vale dos Vinhedos

Lembro-me claramente dessas aulas do ensino fundamental. Algumas em História, algumas em Geografia, mas eu tinha duas professoras que me falavam desses “dois Brasis, um forte e pujante e outro pobre e subdesenvolvido”. Não era preciso viajar o país para entender. Estudando em escola pública, as diferenças apareciam quase todos os dias, felizmente entre alunos que não estavam de fato preocupados com isso.

Só recentemente, fui ter minha aula mais prática. Em menos de um mês, estive em alguns dos lugares dados como exemplos por minhas queridas professoras Marlene e Célia. Sim, além das aulas, lembro dos nomes.

Comecei pelo Rio Grande do Sul, já velho conhecido, seja pela Capital, seja pela Serra Gaúcha, o lugar onde vamos para usar nossas roupas de frio e comer chocolate.

Desta vez fui conhecer Bento Gonçalves, encravado na região conhecida como Vale dos Vinhedos. Não esperava encontrar tanto primor.

Para um europeu, acostumado às vinicolas italianas, portuguesas ou espanholas, tudo aquilo pode ser só um acanhado começo. Mas eu, filha da terra brasilis, fiquei excitadíssima com os resultados dos nossos vinhedos, enólogos, sommeliers, chefs, agricultores…

Na Casa Valduga, almoçamos no ambiente de adega decorado de forma delicadamente simples, como se para não agredir a imponência do edifício. Pedras nas paredes, grande janela a deixar o sol iluminar o interior, famílias se deliciando com a culinária de inspiração italiana.

Depois, fomos à Casa Miolo, que me lembrou um pouco a Toscana, não tanto pela paisagem, mas pelo estado de espírito, por aquela sensação que só um turista conhece, quando está entregue à oportunidade única de viver o momento.

Passamos por uma aula sobre terras, uvas, garrafas, barris e sabores. Degustando e aprendendo, acabamos a experiência com pouco álcool no sangue, só o suficiente para sorrir e então fomos almoçar num restaurante familiar (Engenho do Vale) cuja proprietária era a verdadeira imagem de qualquer mãe. Na dúvida, ela botava mais comida no nosso prato. E o marido dela servia o vinho, ajustando a dose que dá vontade de gargalhar.

Vencida a etapa etílica-idílica, devíamos visitar a região serrana. Gramado, muito arrumadinho, desta vez ficou só na passagem, congestionada, aliás, com tanto turista. Eu me lembrava de Canela, onde  fora a primeira vez com amigos que me estimularam a descer mais de 700 degraus para chegar bem perto da cascata do Caracol. Depois de subir, quase perdemos a amizade.

Quis voltar lá, com meu valente parceiro duvidando dos meus números que, afinal, não foram testados porque a tal escada estava fechada para manutenção. Tudo bem. A vista de cima já era esplendorosa e as trilhas disponíveis nos levaram até o pequeno museu do parque, que concluiu com louvor nosso passeio.

Descobri coisas interessantíssimas sobre a fauna e os homens.

Bem vivida a rápida experiência no lado rico do Brasil, eu já me perguntava o que me reservaria o Maranhão, dali a duas semanas e 4.000km.

 

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