Itália – O Brasil em Pistoia

Entre uma festa e outra, uma viagem e outra, achei a publicação (no Facebook) do Hélio, meu querido amigo-filósofo falando sobre o passado. Sensível à jornada dos humanos sobre a Terra, sua escrita não deixa dúvidas de que o grande encanto da vida não está nos mapas, nem nos autos, nem nos livros.

Obrigada Hélio, por compartilhar aprendizado e sentimento.

Abaixo, seu texto na íntegra, com algumas das fotos e pouquíssimos ajustes de espaços, só para facilitar a leitura neste meio:

 

UM PAÍS QUE DESCONHECE SUA HISTÓRIA E CULTUA FALSOS HERÓIS…

“Na mesa de negociações, onde os vencedores impunham pesadas sanções às nações derrotadas, a única reivindicação do Brasil foi um pedaço de terra para enterrar seus heróis”.

(Autor desconhecido)

 

PISA – PISTÓIA

24 de Junho de 2015

Saí de Pisa com o objetivo de cumprir um compromisso que assumi comigo mesmo: visitar o antigo cemitério de Pistóia, hoje chamado de Monumento Votivo Militar Brasileiro, já que os restos mortais de nossos ex-combatentes repousam no Monumento aos Mortos da II Guerra Mundial no aterro do Flamengo. Afinal, foi a única exigência do Brasil quando os vencedores faziam a divisão do “butim”: um pedaço de terra para enterrar seus mortos.

Coloquei a cidade de Pistoia no GPS, mas ele não conhecia outro caminho a não ser a estrada pedagiada, o que aumentava a distância em 50 km.

Usando o mapa, tracei minha rota e, atravessando fazendas, pequenas cidades e muitas plantações, aproveitei o belo dia de sol. Embora a velocidade fosse mais baixa, valia a pena, afinal dava tempo de curtir e imaginar os jovens pilotos do 1º Grupo de Aviação de Caça da FAB decolando de sua base em Livorno, sobrevoando aqueles campos para mais uma missão contra os boches.

Rapidamente cheguei a Pistóia, uma cidade bonita, com seus prédios antigos bem conservados, mantendo ainda muitas edificações antigas como muralhas fortificadas, arcos e colunas que lembram um estilo normando (pelo menos para um leigo como eu).

A dificuldade maior foi descobrir o “Cemiterio Braziliano” até que encontrei um cidadão que me deu as orientações precisas: “Ao fondo – destra – súbito sinistra – coluna d’arbes – rotonda uno niente – rotonda due sinistra – ao fondo a sinistra está”. Tudo isso com amplos movimentos das mãos, entonações diversas, caretas e ginga de corpo. Incrível como a linguagem corporal foi fundamental.

Descoberto o Monumento Votivo em um local um tanto afastado, a surpresa para quem está acostumado às coisas de nosso país: grama imaculadamente aparada, plantas bem cuidadas, espelho d’agua limpo, bandeira brasileira hasteada, fogo fátuo aceso, nem uma só pessoa por perto e o único som que se ouvia era o drapejar da bandeira BRASILEIRA sob uma rajada mais forte do vento.

Impossível não se emocionar ao ler os nomes gravados no muro de pedra, as placas de agradecimento dos cidadãos italianos aos “brazilianos” que vieram de tão longe lutar por eles.

Uma pena que nosso povo não valorize essa página de nossa história, nem conheça a história de amor onde o Cemitério “Braziliano” de Pistóia foi fundamental para um final feliz e que se estende até os dias de hoje.

 

por Helio Rodrigues Silva

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