Do Brasil para a Rússia

No meio de toda a festa futebolística que estamos assistindo, vimos circular nas redes sociais o vídeo de brasileiros cantando com uma jovem russa.

Seria mais um destaque do turismo à serviço da paz, não fosse pela bestial desonra dos tais brasileiros.

Eu já tive muitas chances de viajar. Trinta e seis países (pequeníssima parcela deste grande mundo). Conheço São Petersburgo, inclusive. Posso afirmar que incidentes acontecem. Há diferenças culturais às vezes desconcertantes. Há abusos e preconceitos. Infelizmente, o mal faz parte da raça humana.

Mas não falemos de tanto, nem de machismo, feminismo, sexismo algum. Estamos falando de falta de educação. Falta de respeito de um humano com outro.

Por mais entusiasmados, ensandecidos ou tomados pelo torpor que algumas doses de vodkapodem lhes ter causado, esses moços protagonizaram, sem nenhuma justificativa, um horror que envergonhou uma nação inteira e revoltou todas as outras.

Tenho lido sobre essas coisas em alguns livros sobre a era medieval! Mas parece que nada mudou para esses modernos privilegiados. Metade da população brasileira adoraria ter ido à Rússia. Apenas uma pequena parcela pôde ir, seja por tempo, dinheiro, oportunidade, disposição, que seja.

Assim, cada cidadão de verde e amarelo tinha, como tem sempre, a imensa responsabilidade de representar o Brasil. Ainda mais sendo supostamente cidadãos exemplares, tal qual esses, que foram identificados como servidores públicos e advogados (meu Deus, que vergonha).

Mas não. Eles preferiram humilhar a moça, gritando-lhe palavrões da mais baixa ordem, divertindo-se, então, com seu inocente desconhecimento do idioma. Ela, gentil, até se dispôs a cantar junto. Ela sim, foi um exemplo de fair play, para aproveitar o jargão da Copa do Mundo.

Eles foram maus, grosseiros e sujos. Tão danosos que, acredito, deviam indenizar. Meu irmão não é assim, meu pai não é assim, não educo meu filho para ser assim. Vieram esses elementos e conspurcaram toda uma frágil reputação que, nós, cidadãos de bom-senso, lutamos todo dia para construir.

Como habitante brasileira do planeta, eu gostaria de me desculpar com a jovem vítima dos meus, infelizmente, compatriotas. Nós não somos todos assim. Nossa maioria é boa, pena não estar conseguindo neutralizar a minoria podre. Um dia conseguiremos.

O dicionário define como “s.f.Garbo; aspecto varonil; corporatura; (fig.) dignidade; nobreza de caráter, magnanimidade; altivez louvável, orgulho”. Eu gostaria que esses moços viessem a público pedir suas desculpas. A ela e a todos. Se não conseguiram aprender até agora, quem sabe conseguem, com o triste episódio, captar o verdadeiro sentido do verbete HOMBRIDADE.

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